domingo, 22 de fevereiro de 2009

Palavra de Mestre

Interação entre Estado e Sociedade

Afonso Rodrigues de Oliveira

“O desenvolvimento real só se dá quando a Cultura e o Humano estão na base”. (Juca Ferreira – Ministro da cultura)

Quase ninguém se atenta para a revolução silenciosa que está ocorrendo no mundo. Na verdade ninguém está a fim de se preocupar com cultura. Ninguém nos ensinou que a cultura deve chegar até nós, puxando a educação. Que sem cultura não é possível educar. E é por isso que vivemos tão empolados. Quem é culto? O que sabe mais ou o que exibe mais? Por que temos que ir ao teatro para adquirir cultura ao invés de ir ao teatro porque somos cultos? Conheço um bocado de gente culta que detesta teatro. Conheço também muitos que “não têm cultura” e adorariam ter um teatro para participar dele; para extravasar seus conhecimentos desconhecidos. Qualidades que sempre se dispersam por não serem reconhecidas, porque estão nos barracos e tapiris. Cada vez mais é maior o número de escolas que estão descobrindo a pólvora sem saber que os chineses a inventaram há milênios. Estão inventando invenções anacrônicas, como levar o esporte e o divertimento para os alunos como incentivo para o aprendizado. Eu creio que Adão e Eva já sabiam disso. Só nunca nos falaram.
O Fórum Nacional dos Pontos de Cultura, realizado em Brasília, em novembro de 2008 deixou bem claro o quanto teremos de lutar para fazer a Educação entender que sem Cultura não há educação. E enquanto não entendermos isso, não seremos um povo educado e, consequentemente, não seremos uma sociedade civilizada. A administração pública não vai entender que para manter uma cidade limpa não basta limpá-la; o mais importante é não sujá-la. E nunca vamos deixar de sujá-la enquanto não formos um povo culto. E não entender isso significa caminhar de tropeço em tropeço sem se dar conta do ensinamento que aprendi quando criança: “A educação é como a plaina; aperfeiçoa a obra, mas não melhora a madeira”. E o que nos interessa é a madeira de lei que só conseguiremos com a cultura para cultivá-la. Recentemente assisti a um DVD sobre este assunto, no qual uma professora de um interior protestava contra a inclusão do folclore, como cultura, no currículo escolar. Ela exclamou de sobrancelhas erguidas: “Que horror!! Como é que essas crianças, depois de adultas vão saber se comportar na fila de um Banco”? Deu pra sacar?
Faça sua parte para manter sua cidade limpa; nunca mais jogue um papel ou qualquer outro objeto descartável, no chão. Taí uma insignificância que leva à perfeição. Pense nisso.

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